segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pinot Noir a uva feminina !!!


A Pinot Noir é uma casta tinta, originária da França. Não existe mistério quanto a sua origem, sua terra natal é a espetacular Borgonha há mais de 2.000 mil anos. Os primeiros registros de seu cultivo remetem aos Gauleses em torno de 150 aC. Sua importância e reconhecimento são antigos. Em 1395, o então Duque da Borgonha, Felipe, proíbe o plantio e cultivo da casta Gamay na Côte D’Or por considerá-la de qualidade inferior, privilegiando a uva Pinot Noir.



Por ser tão antiga, a Pinot Noir originou toda uma família de uvas: Pinot Gris e Pinot Blanc. Além disso, segundo recentes estudos de DNA, 16 castas distintas têm a Pinot Noir na sua origem, dentre elas: Chardonnay, Gamay, Melon de Bourgogne (Muscadet) e Auxerrois (Malbec). 
O cultivo em outras partes do mundo só começou na década de 1990 (Nova Zelândia, Califórnia, Oregon, Austrália).

BOAS OPÇÕES  PARA SE CONHECER O PINOT  NOIR




1. Nicolas Potel (Borgonha-França)
Há vários produtores, mas este é um dos melhores custo-benefício da Borgonha. Ótimo para acompanhar pratos de carne vermelha. Média de preço: R$ 190,00.

2. Crimson (Martinborough (Ilha Norte)-Nova Zelândia)
Pinot Noir 100% com breve passagem por carvalho. Aroma intrigante de cereja negra mesclado a framboesas e amoras selvagens.
Leves notas de cravo defumado e especiarias exóticas realçam os ricos sabores de ameixas vermelhas e cerejas negras que explodem no palato.
Taninos muito finos e sedosos até o final.
Este vinho tem charme expressivo, estrutura, presença
Salmão ou pratos vegetarianos são boas combinações. Média de preço: R$ 150,00.

3. Villard (Casablanca-Chile)
Ideal salmão ou atum fresco com molhos escuros (carne ou vinho tinto), codorna assada ao molho de shitake e ravioli em molhos cremosos. Média de preço: R$ 100,00.


No século XV, a Pinot Noir começa a ser plantada na região que hoje conhecemos como Champagne, mais precisamente na sub-região de Epernay. Segundo a lenda, Dom Pérignon utilizava apenas Pinot Noir, alegando que as uvas brancas tinham uma tendência latente à re-fermentação. Acontece que mesmo assim o vinho produzido possuía uma instabilidade enorme, tendendo a interromper a fermentação com o início do frio (Outono) e voltando a fermentar no calor (Primavera). Dom Pérignon acreditava que guardar os vinhos em barris de carvalho fazia com que eles perdessem os aromas, portanto, ele os guardava já nas garrafas. Quando a segunda fermentação ocorria, o gás (dióxido de carbono) ficava retido na garrafa. E assim, segundo a lenda, nascia o Champagne. Champagne feito somente de Pinot Noir.

Voltando para a Borgonha... Foi a partir de 1631, com a venda do La Romanée em Vosne pela abadia de St.Vivant, que os burgueses de Dijon começaram a investir na região. Rapidamente, o reconhecimento surgiu e os vinhos de Vosne, Chambertin, Clos de Bèze, Fixin, Volnay ocuparam lugar de destaque para os franceses. A primeira classificação oficial data de 1861 e deve-se ao Dr. Jules Lavalle, do Comitê d’Agriculture de Beaune, que a elaborou para a Exposição Universal do ano seguinte.

Como podemos explicar que uma região tão pequena, produza vinhos tão diferentes? Como podemos entender a diferença entre um Volnay e um Pommard, ou ainda, entre um Chambertin e um Nuits? A explicação mais sábia é o que os franceses chamam de Terroir, ou seja, o conjunto complexo de solo, clima, situação e ambiente da videira. "É o terroir que explica a Pinot Noir, ou a Pinot Noir que explica o terroir: de qualquer forma, intimamente ligados, os dois constituem a chave da variedade da Côte d’Or." (Hugh Johnson).


Características

A Pinot Noir não se adapta em qualquer região. É uma casta muito difícil de cultivar, quase temperamental. Para muitos apreciadores só existe uma região que vale a pena, a Borgonha. Para outros, menos radicais, ainda pode-se encontrar bons Pinot Noir na Nova Zelândia e Califórnia. Apesar dessa pequena diferença de opinião, existe o consenso que ninguém faz Pinot Noir como a Borgonha. Lá ela se mostra insuperável, majestosa e soberba.

A casta é vigorosa, deve-se tomar cuidado com o rendimento. Se o vinhedo não for bem cuidado, não há nada que se possa fazer na cantina, ou seja, não se conserta. Apresenta cachos pequenos e de cor violeta profunda, os seus bagos também são pequenos, redondos, delicados e de casta fina. Necessita de clima fresco bem equilibrado. Floresce e amadurece mais cedo. O excesso de frio produz vinhos pálidos e de sabores pobres. O excesso de calor sobre amadurece a Pinot Noir, provocando sabores e aromas excessivamente tostados e de geléias, afastando a elegância marcante.

Em linhas gerais, os aromas primários mais encontrados são: frutas vermelhas (cereja, framboesa, morango, ameixa), florais (violeta, rosas), especiarias (alcaçuz, açafrão, canela, orégano, chá verde) outros (vegetação rasteira, terra molhada, chão de terra, almíscar, azeitona preta). Com o tempo de guarda, os melhores vinhos podem apresentar: amadeirados (sândalo, incenso, cedrinho, caixa de charutos), animal (couro velho, suor), outros (ervas, especiarias, funghi, trufa).


Aromas

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Cereja,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Framboesa,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Morango fresco,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Ameixa vermelha,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Violeta,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Rosas,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Açafrão,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Sândalo,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Cedrinho,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Trufas,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Terroso,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Almíscar.

Na boca, a Pinot Noir é ainda mais fascinante. Alguns especialistas alegam que ela remete às boas coisas/lembranças da infância. Morangos, sumo de carne, temperos e uma deliciosa sensação sedosa. Normalmente a acidez se destaca com taninos e álcool bem equilibrados e discretos. Possui boa estrutura, intensidade, complexidade e apresenta-se marcante, apesar de seu corpo ser médio (na maioria das vezes). A passagem por madeira é bem vinda desde que não destrua sua delicadeza.

A Pinot Noir é uma casta para ser apresentada sozinha (varietal). Poucas experiências de corte (assemblage) deram certo. Champagne é uma delas, onde se pode cortar com a Pinot Meunier e a Chardonnay.

Ela pode originar alguns vinhos prontos para o consumo logo que são engarrafados. Mas os melhores precisam de alguns anos para evoluir. Os vinhos jovens devem ser consumidos até 05 anos. Os vinhos de guarda seguem a seguinte linha: de 05 a 12 anos (EUA e Nova Zelândia), de 05 a 20 anos (Côte D’Or).


Principais Regiões

Conforme já foi dito, a melhor região para a Pinot Noir é a Borgonha. Mas essa região é complicada, com muitas subdivisões e denominações. A que mais se destaca é a Côte D’Or, que também é dividida entre Côte de Nuits e Côte de Beaune, cada uma com as suas apelações, a saber:

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Côte de Beaune: Ladoix, Pernand-Vergelesses, Aloxe-Corton, Chorey-lês-Beaune, Savigny-lês-Beaune, Beaune, Pommard, Volnay, Monthélie, Meursault, Auxey-Duresses, Saint-Romain, Puligny-Montrachet, Saint-Aubin, Chassagne-Montrachet, Santenay e Maranges.

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Côte de Nuits: Marsannay, Fixin, Gevrey-Chambertin, Morey-Saint-Denis, Chambolle-Musigny, Vougeot, Vosne-Romanée e Nuits-Saint-Georges.

Cultivada em poucos lugares do mundo, as principais regiões e características são:

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif França, Borgonha (Côte de Nuits) – Começa ao sul da cidade de Dijon e se estende até Nuits-Saint-Georges. A melhor e mais espetacular região para a Pinot Noir. Seus vinhos precisam de tempo para evoluir e mostrar todos os nuances de aromas e gostos;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif França, Borgonha (Côte de Beaune) – Começa na cidade de Ladoix e se estende até Santenay. Uma das melhores expressões. Vinhos menos complexos que precisam de menos tempo para evoluir. Elegantes, perfumados e delicados;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif França, Champagne – As melhores vinhas estão em Montagne de Reims e é aí que a Pinot Noir domina. Outra região produtora é o Aube. No total, ela é responsável por 35% da área plantada;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Nova Zelândia – A melhor alternativa a Borgonha. Também é excelente, porém com menos elegância e delicadeza, mas com uma competente estrutura. A Ilha do Norte mostrou-se muito quente para a Pinot Noir, assim sendo, a Ilha do Sul investiu nessa variedade de uva, principalmente na sub-região de Canterbury e Marlborough. A única exceção na Ilha do Norte é a sub-região de Wairarapa, onde o micro clima permite produzir Pinot Noir mais excitantes. Vale a pena;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif EUA (Califórnia) – Produz vinhos deliciosos e muitas vezes, complexos. Possuem aromas exuberantes de framboesa e cereja com toques de carvalho francês;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif EUA (Oregon) – O destaque fica por conta da sub-região de Willamette Valley, excepcional produtora de Pinot Noir;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Outras Regiões – Ainda merecem destaque alguns produtores da África do Sul, Chile, Austrália e Itália.


Grandes Pinots Noir

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif DRC,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Leroy,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Faiveley,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Louis Jadot,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Jean Grivot,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif J.Drouhin,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif D.des Lambrays,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif D.Leflaive
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Méo-Camuzet,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Comte Georges de Vogüé,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Alain Michelot,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif D.Dujac,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Dominique Laurent,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Dugat-Py,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Pierre Damoy,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Philippe Pacalet,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Denis Bachelet,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Denis Mortet,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif E.Rouget,
   
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Rousseau,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif A.Rodet,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Robert Chevillon,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Bernard Morey,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Braida,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Rochioli,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Calera,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif D.Drouhin,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Giaconda,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Ata Rangi,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Schubert,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Dry River,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Felton Road,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Isabel,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Cloud Bay,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Martinborough,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Seresin,
http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Villard.


Compatibilização

A Pinot Noir não é uma casta para iniciantes. Sua estrutura mais delicada pode decepcionar alguns desavisados. Não espere encontrar madeira nova, excesso de álcool, doçura ou potência. Os Pinot Noir não são assim.

Podemos dizer que ela é muito versátil e bem vinda à mesa. As melhores combinações são:

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Borgonha – Os parceiros ideais são as aves de caça, como o pato, especialmente se servidos com cerejas cozidas; galinha d’angola, carré de vitela, trufas. Os tintos da Côte de Beaune combinam mais com caças de sabores suaves como o faisão, javali e coelho. Enquanto os tintos da Côte de Nuits, precisam de sabores mais marcantes, como o pombo, pato selvagem, veado e lebre. Não esquecendo do clássico Boeuf à la Bourguignonne;

http://www.guiadovinho.com.br/pino.gif Nova Zelândia e Austrália – Combinam com codorna, pato, peru, presunto e peixes carnudos. Por sinal, Atum e Salmão são boas escolhas para Pinot Noir mais leves e jovens;

Eduardo Machado
Sommelier

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Encontro de vinhos OFF


Está chegando mais uma edição do Encontro de vinhos OFF, o evento que traz as grandes novidades para o mercado do vinho no Brasil.


Realizado sempre em São Paulo um dia antes da ExpoVinis, conta com importadores, produtores brasileiros e de diversas partes do mundo, que estarão reunidos para apresentar seus lançamentos.

Neste ano o evento será na Casa da Fazenda do Morumbi, um espaço amplo e que será repleto de novidades. Os visitantes poderão provar centenas de vinhos em um ambiente climatizado e preparado para a degustação.

O Encontro começa às 14h e vamos até as 22h, para dar tempo de todos se programarem e mesmo os que trabalham até o final do dia poderão participar.

E neste ano são muitas as novidades como o Espaço Valpolicella com 11 produtores de Amarone para você provar, um bistrô comandado pela Voilà e uma arena cultural com apresentação de artistas de rua.

Não perca, pois será um dos grandes eventos de vinho de 2013.

Encontro de Vinhos OFF 2013
Local: Casa da Fazenda Morumbi –Data: 23 de abril de 2013
Horário: das 14h as 22h

Convites: R$ 60,00  O valor no dia do evento é R$ 60,00 mas comprando antecipadamente você paga mais barato. Comprando pelo site do Encontro de Vinhos você paga só R$ 50,00 e tem direito a visitar a feira durante o tempo que quiser e provar quantos vinhos tiver vontade.
Você pode comprar seu ingresso online pagando diretamente pelo PagSeguro do UOL. É fácil, rápido e você pode até parcelar.

Eduardo Machado
Sommelier

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Edição 2013 do Circuito Brasileiro de Degustação começa na próxima semana!

O evento itinerante tem início na Região Sul. Até o final do ano, roteiro passará pelas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, contemplando 11 cidades.
No ano passado, a participação de 1,7 mil pessoas nas sete etapas do Circuito Brasileiro de Degustação, praticamente o dobro do público inicialmente previsto, superou as mais positivas expectativas Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Sucesso de público e de formatação, em 2013 o evento foi ampliado e será levado a 11 capitais de quatro regiões do país. Realizado em parceria com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com patrocínio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e do Agronegócio do Rio Grande do Sul (Seapa/RS) e apoio da Oxford Crystal, o Circuito contará com a participação de 23 vinícolas e do projeto Suco de Uva 100% do Brasil.
Com o objetivo levar informações e potencializar a formação de imagem dos vinhos brasileiros no mercado interno, o Circuito consiste em reunir grupos de vinícolas que promovem a degustação de seus produtos em diferentes cidades do país. Como resultado, a ação proporciona a aproximação direta das empresas com consumidores e profissionais do setor por meio da experimentação, ampliando o conhecimento sobre os vinhos nacionais e facilitando a realização de negócios. “É uma oportunidade única que os profissionais e os consumidores têm para conferir as novidades da produção brasileira de vinhos e derivados”, ressalta o Gerente Marketing do Ibravin, Diego Bertolini.
Este ano, o Circuito será realizado em etapas que contemplam as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A largada será dada na próxima segunda-feira, 8 de abril, em Curitiba (PR). Na sequência, a ação segue para Florianópolis (SC), no dia 9 na Alameda Casa Rosa do Grande Chef Alex Floyd, e Porto Alegre (RS), no dia 11. Em junho, o Circuito ruma para a Região Sudeste, com a realização no Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). A terceira etapa ocorre em julho, nas cidades de Goiânia (GO) e Brasília (DF), contemplando o Centro-Oeste do país. Em setembro, o Circuito se encerra com o tour pelas capitais nordestinas de Salvador (BA), Recife (PE), Natal (RN) e Fortaleza (CE).
As atividades sempre ocorrem das 16h às 21h, com entrada gratuita. Entretanto, o período até as 19h é reservado a profissionais do setor de vinho, comércio e jornalistas. Depois deste horário, o Circuito é aberto aos consumidores.
Palestras
Duas palestras integram a programação da primeira etapa do evento. De carona com os Vinhos do Brasil – Uma viagem pelas regiões que buscam identidade para seus rótulos, inicia às 17h. A ministrante será a enóloga Maria Amélia Duarte Flores, professora do curso de Gestão em Enoturismo e proprietária da Vinho e Arte, empresa de eventos e consultoria. 
A palestra seguinte, Luz, Câmera, Degustação! – Os vinhos do Brasil e a 7ª Arte, inicia às 19h e ficará a cargo do jornalista Marcelo Copello, diretor de conteúdo da Baco Multimídia e um dos principais formadores de opinião da indústria do vinho no país. Na ocasião também será feito o lançamento do Anuário Vinhos do Brasil, elaborado pela Baco, com a supervisão do jornalista.
Participantes do Circuito deste ano:
Aracuri Vinhos Finos
Casa Valduga
Casa Venturini Vinhos e Espumantes
Courmayeur do Brasil Vinhos
Dal Pizzol Vinhos Finos
Dommo do Brasil
Dunamis Vinhos e Vinhedos
Gran Legado Vinhos e Espumantes
Guatambu Estância do Vinho
José Sozo Vinhos
Lídio Carraro Vinícola Boutique
Luiz Argenta Vinhos Finos
Miolo Wine Group
Pericó Vinhos
Pizzato Vinhas e Vinhos
Sanjo – Cooperativa Agrícola de São Joaquim
Vinícola Aurora, Vinícola Peterlongo
Vinícola Campos de Cima
Vinícola Dezem
Vinícola Perini
Vinícola Salton
Famiglia Zanlorenze
Suco de Uva 100% do Brasil
Fonte: Martha Caus - Ibravin
 
Nos vemos la , conto com a presença de todos amigos do mundo do vinho da Grande Florianópolis.
 
Eduardo Machado
Sommelier 

terça-feira, 2 de abril de 2013

A origem da Rolha ( SOBREIRO )


A origem da rolha ( SOBREIRO )


São precisos 25 anos em média para que um tronco de sobreiro (árvore que dá a cortiça) comece a produzir cortiça para a elaboração de rolhas. Cada tronco do sobreiro tem que atingir em média um perímetro de 70 cm a 1,5 metro do chão. A partir de então, a sua exploração durará mais de 130 anos.
O primeiro descortiçamento, a chamada desbóia, obtem-se uma cortiça de estrutura muito irregular e com uma dureza que se torna complicada de trabalhar. Sendo chamada de “cortiça virgem” que será utilizada em outras produções e não destinadas a produção de rolhas.
Depois de nove anos, no segundo descortiçamento, consegue-se um material com uma estrutura mais regular, menos rígida, mas ainda impróprio para o fabricação de rolhas de qualidade. Mesmo para rolhas de segunda linha.
É só no terceiro descortiçamento e nos seguintes, que se consegue uma cortiça com as propriedades adequadas para a produção de rolhas de qualidade, uma vez que já apresenta uma estrutura regular, macia e de textura lisa. É a chamada “cortiça de reprodução”. A partir desta altura, o sobreiro fornecerá, de nove em nove anos, cortiça com boa qualidade por mais de 130 ou 150 anos.
O descortiçamento do sobreiro é um processo lento, cuidadoso, devendo  ser feito apenas por pessoas especializadas, os chamados descortiçadores. Caso contrário, o sobreiro poderia sofrer danos a sua estrutura e prejudicar futuras extrações de cortiça.
Nos últimos anos o debate tem sido intenso em torno do modo ideal de vedar as garrafas de vinhos e em torno dos problemas que envolvem a rolha de cortiça. O tema é importante, pois o modo de tampar a garrafa influi muito na qualidade final do vinho.

O surgimento da rolha de cortiça
Garrafas de vidro são usadas para armazenar vinho (ainda de modo raro e insipiente) desde o império romano. Este tipo de recipiente, contudo, só viria a se tornar o padrão a partir do século XVII. O pai da moderna garrafa de vidro para vinhos é o inglês Sir Kenelm Digby, que nos anos 1630 foi proprietário de uma fábrica de vidro e produziu em série garrafas mais resistentes, escuras (para a proteção do líquido da luz) e com formato semelhante ao que hoje é o padrão do mercado (cilíndricas, alongadas, com um pescoço mais fino e com um gargalho reforçado). Este tipo de garrafa adaptou-se bem a uma outra invenção, a rolha de cortiça, que por volta de 1680 começou a ser usada. Nesta data o monge Dom Pérignon teria deixado de usar vedantes de madeira e adotado rolhas de cortiça em seus vinhos espumantes. Até 1830 as rolhas eram em forma do cone, para seu melhor encaixe nos gargalos das garrafas, só a partir daí foram criadas máquinas capazes de introduzir rolhas cilíndricas (como as de hoje) nos gargalos das garrafas.

Rolha maciça – feita de cortiça maciça, é a de melhor qualidade. Quanto mais longa, larga e elástica melhor a qualidade da rolha. Uma rolha grande pode ter 55 mm de comprimento e 25 mm de diâmetro. Enquanto isso uma pequena pode ficar nos 30×15 mm, por exemplo. O diâmetro da boca da garrafa é sempre menor que o diâmetro da rolha, que é colocada comprimida por uma máquina, para que fique firme e vede bem o recipiente. Uma rolha “top” pode custar mais de 1 euro a unidade.

Rolha de aglomerado de cortiça – rolha mais barata feita de cortiça moída e cola, a partir da cortiça que sobra da elaboração das rolhas maciças. Difere da rolha maciça da mesma forma que uma madeira maciça se compara a uma madeira de aglomerado. Sua elasticidade e durabilidade é menor que a de uma rolha maciça (e seu tamanho por vezes também). Em alguns casos a cola destas rolhas pode passar aromas negativos ao vinho, o que motivou alguns produtores a adicionarem um disco de cortiça maciça na parte da rolha que fica em contato com o líquido.

 Rolha de Champagne – é feita de duas partes, em forma de cogumelo. A parte de cima, a cabeça do cogumelo, é propositalmente feita de aglomerado bastante rígido, sem elasticidade, para que se possa segurar e sacar a rolha com as mãos ou um alicate apropriado. A parte de baixo, que fica dentro do gargalo da garrafa, é de rolha maciça e elástica, para vedar a garrafa e proteger o liquido.

Rolha sintética – as rolhas sintéticas chegaram ao mercado no início dos anos 1990 causando espanto (e às vezes revolta) em consumidores tradicionalistas. Este tipo de vedante oferece vantagens e desvantagens em relação às rolhas de cortiça. Custam mais barato, permitem que o vinho seja guardado de pé, pode ser colorida, e o principal, não transmitem o TCA.
Do lado negativo está primeiramente o aspecto técnico: esta rolha não é tão elástica quanto a cortiça e não veda totalmente a garrafa, permitindo a entrada de uma micro quantidade de oxigênio (0,01 centímetro cúbico por dia, dez vezes mais que 0,001 cc das rolhas de cortiça ou tampas de rosca) provocando a oxidação dos vinhos em caso de longa guarda.

Tampa de Rosca – Conhecida como screwcap este tipo de vedante vem sendo pesquisado para uso em vinhos na Austrália desde os anos 1960 e há anos é usado com sucesso em muitos tipos de bebida (cerveja, sucos, água mineral etc). Trata-se de uma tampa metálica de rosca coberta internamente por um plástico inerte. Como vantagens traz seu baixo custo, seu fácil manuseio (dispensa o uso saca rolhas), a garrafa pode ficar de pé, é reciclável, livre de TCA e funciona perfeitamente para vinhos jovens. Sua longevidade, contudo, não está comprovada para uso em vinhos de guarda, embora já seja bastante aceita sua grande eficiência em vinhos brancos e de consumo jovem em geral. Este tipo de vedante é adotado por novos produtores a cada ano e é a grande tendência deste mercado. Na Austrália cerca de 30% de toda a produção engarrafada já utiliza a screwcap. Na Nova Zelândia esta proporção já ultrapassa os 70%. A nível global, cerca de 15% de todas as garrafas de vinho comercializadas trazem uma tampa de rosca. No momento este parece ser o vedante mais promissor, por sua eficiência, fácil utilização e baixo custo.

Tampa de Vidro
Um tipo de vedante, feito de vidro e forrado com material sintético é usado por alguns produtores alemães e austríacos. No Brasil já esbarrei em vinhos assim do produtor alemão Eugen Müller, representado aqui pela importadora Decanter. Este vedante é chamado de “Vino-lok” e é tipo como muito eficiente, por cumprir bem sua função de selar a garrafa, por sua aparência elegante e por ser reciclável, mas seu custo ainda não é acessível a vinhos mais baratos. 


O maior produtor de cortiça no mundo é Portugal ( Alentejo ), seguido da Espanha e Marrocos .
Santé !!!
Eduardo Machado
Sommelier